A nova resolução do CFM sobre publicidade médica entrou em vigor recentemente e trouxe mudanças importantes para médicos que utilizam redes sociais, sites e entrevistas como forma de comunicação profissional.

Mas afinal, o que pode e o que continua proibido?

A norma ficou mais flexível em alguns pontos — como a possibilidade de divulgar valores e publicar antes e depois (com critérios). Porém, ao mesmo tempo, reforçou regras sobre sensacionalismo, promessa de resultado e concorrência desleal.

Ou seja: houve abertura, mas também aumento da responsabilidade.

O que é publicidade médica segundo o CFM?

A resolução diferencia dois conceitos:

Publicidade médica é quando o profissional promove sua própria atuação, estrutura ou serviços.

Propaganda médica é quando se divulgam informações de interesse geral da Medicina.

Essa distinção é importante porque cada uma possui limites éticos específicos — e ambos são fiscalizados pelos Conselhos Regionais.

O que passou a ser permitido?

Entre os principais pontos autorizados estão:

  • Divulgação de valores de consulta (sem prática mercantilista)

  • Publicação de antes e depois (sem identificação do paciente)

  • Divulgação de equipamentos utilizados

  • Cursos para médicos e estudantes

  • Serviços agregados na clínica

Mas atenção: tudo deve respeitar os princípios éticos da profissão.

O que continua proibido?

Mesmo com a nova resolução, seguem vedados:

  • Exibição de procedimentos sendo realizados

  • Promessa de resultados

  • Sensacionalismo

  • Divulgação de técnicas não reconhecidas pelo CFM

  • Uso do título de especialista sem RQE

Além disso, o Manual da CODAME agora integra oficialmente a resolução — ou seja, também é obrigatório.

Conclusão

A nova publicidade médica não é uma “liberação geral”.

Ela trouxe mais possibilidades — mas também exige mais cuidado técnico.

A comunicação médica estratégica hoje precisa ser ética, bem estruturada e juridicamente segura.

Se você utiliza redes sociais para divulgar sua atuação profissional, este é o momento ideal para revisar sua comunicação.

Perguntas Frequentes (FAQ)

1. Posso divulgar valores de consulta nas redes sociais?

Sim. A nova resolução permite divulgar valores, desde que não haja mercantilização da Medicina, pacotes promocionais ou práticas enganosas.

2. Está liberado postar antes e depois?

Está permitido, mas com restrições: o paciente não pode ser identificado e não pode haver promessa ou garantia de resultado.

3. Médico sem RQE pode se dizer especialista?

Não. Apenas médicos com Registro de Qualificação de Especialista (RQE) podem utilizar formalmente o título de especialista.

4. Posso mostrar o procedimento sendo realizado?

Não. A exibição da execução de procedimentos em redes sociais continua vedada pela norma ética.

“A publicidade médica deve obedecer aos princípios éticos da veracidade, sobriedade e respeito à dignidade da profissão.”

Análise complementar, com base na internet:

“Professionalism in the Use of Social Media” (American Medical Association) – UNITED STATES

Este documento reforça o argumento apresentado no post de que médicos devem evitar promessas de resultados, sensacionalismo e conteúdos que possam induzir o paciente ao erro nas redes sociais. A AMA destaca que a comunicação digital deve preservar a ética, a responsabilidade profissional e a confiança pública, alinhando-se diretamente ao princípio de evitar autopromoção exagerada e conteúdo inverídico discutido no artigo.

“Doctors’ Use of Social Media” (General Medical Council) – UNITED KINGDOM

Esta diretriz reforça o argumento apresentado no post de que médicos permanecem responsáveis por todo conteúdo publicado, inclusive quando envolve terceiros ou estratégias de marketing. O GMC enfatiza que informações compartilhadas não devem ser enganosas, promocionais de forma inadequada ou comprometer a confiança na profissão médica, confirmando os pilares de responsabilidade e conduta ética abordados no artigo.

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